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Entrevista com Alexandre Huber
É com grande orgulho que o Projeto Albatroz apresenta essa entrevista feita com o artista Alexandre Huber, após os trabalhos realizados em parceria. Deixamos aqui o agradecimento e admiração da equipe do Projeto Albatroz pela arte que foi apresentada nos diversos trabalhos desse pintor que tem muito a ensinar, como artista e como ser humano.

Alexandre, explica um pouco pra gente no que se consiste o seu trabalho de pintura.

Sempre fiz muito trabalho voltado para educação ambiental, através de telas em geral, principalmente óleo sobre tela, depois comecei a abranger através dos murais. A gente começa a nos comunicar através da arte, falar o que a gente pensa, falar sobre nossos objetivos. E vi nos projetos voltados a conservação ambiental e projetos sociais um caminho para, além de divulgar minha arte, estar conscientizando a criançada que está chegando. Então a gente vai trabalhando de acordo com a necessidade, sempre de forma voluntária, e acaba encontrando nesse caminho uma forma legal de continuar fazendo arte e ajudar na conscientização da sociedade.

Você já trabalhou em parceria com quais projetos?

Tenho trabalhado bastante com o Aquário Municipal de Santos. Estou, também, em contato direto com o Projeto Baleia Franca, em Santa Catarina, e vamos, se der tudo certo, pintar um museu por lá. Fiz o mural do NUPEC (Núcleo de Pesquisa e Estudo de Chondrichthyes), e telas em geral venho trabalhando desde o começo. Estou com um projeto em mente para desenvolver para o final do ano, uma exposição chamada Filhos do Mar e Filhos do Rio. Nessa exposição vamos demonstrar a relação entra as espécies dos dois ambientes e como elas se desenvolveram para se adaptar ao seu habitat. No futuro a intenção é de divulgar isso, e com as vendas das telas eu pretendo fazer um trabalho de preservação nas praias do Cheira Limão e Sangava, no Guarujá. Retirando lixo algumas vezes por semana, sempre de forma voluntária, mas daria, com o dinheiro das telas, uma ajuda de custo para essa pessoa que estará trabalhando nas praias. Ajudando o ambiente e fazendo um pouquinho pela natureza da forma que está ao nosso alcance.

Você faz um trabalho de pintura com crianças, colocando elas para pintar os murais junto com você. Como isso funciona?

É o mais gostoso quando a gente consegue trabalhar com elas. Porque eles acabam fazendo perguntas e tirando dúvidas, conhecendo mais sobre os animais que estão pintando. A gente também coloca algumas coisinhas que a gente sabe sobre preservação nas pinturas. Por exemplo, em uma tela que pintei para a Semana do Pescador no Museu de Pesca, resolvi fazer algo ligado à conscientização sobre a pesca predatória. Então resolvi fazer algo em relação ao que o Projeto Tamar fala para os pescadores artesanais, e pintei uma tela de um caiçara soltando uma tartaruga que ficou presa em sua rede. E as crianças olhavam e comentavam. A gente aproveitava o interesse delas pra falar um pouco sobre como fazer pra não matar as tartarugas, não jogar plástico no mar, por exemplo. Então é uma ótima oportunidade para passar a idéia da preservação junto com a arte, além de estar divulgando nosso trabalho.

Vemos hoje que a importância desse trabalho em relação às crianças é no sentido de conscientização sobre a situação do nosso planeta atualmente. Com aquecimento global, mudanças climáticas, diminuição progressiva de espécies, etc. Qual a sua opinião?

Muita gente, hoje em dia, só se preocupa com si mesmo, quer viver a sua vida, cuidar dos seus filhos. Mas a gente vive num ambiente coletivo, e esse ambiente coletivo envolve a natureza. E se a gente vive só no nosso mundinho e esquece o resto, a gente acaba ficando sem água, o clima vai ficando cada vez mais instável. Então o cuidado que a gente tem que ter com o mar é essencial.

E muitas dessas pessoas que não se preocupam com o coletivo não tiveram acesso a informações como essas.

Exatamente, por isso é importante esse trabalho, para que mais pessoas saibam das necessidades de conservação do meio ambiente. E muitas vezes, quando se tenta explicar algo mais complexo como o oxigênio do mar, as crianças acabam não dando atenção, mas através das espécies elas acabam pegando gosto pelo assunto. Então, fazendo uma criança desenhar um golfinho, uma raia, um tubarão ou uma baleia, pode-se estar criando um futuro pintor ou ?guardião da natureza? que tende para esse caminho de cuidar do nosso planeta e da nossa sociedade.

Deve ser gratificante pra você ver crianças que aprenderam através do seu trabalho artístico a cuidar do nosso planeta.

Ainda estamos plantando as sementes, estamos no início da semeadura, vamos ver se no futuro teremos frutos desse trabalho. Mas, sem dúvida, é uma sensação muito boa.

Como você aprendeu a pintar? Como se associou às artes plásticas?

Sempre de forma autodidata. Nunca tive cursos, nunca tive aulas de pintura, nem artistas na minha família, eu sou o único ?riscador de paredes?. Fui aprendendo, desde criança eu desenhava, como quase toda criança, mas não deixei esse habito enquanto ia crescendo, e fui aprendendo cada vez mais.
 
 
 
 
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