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Medidas Mitigadoras |
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Medidas Mitigadoras |
Chamamos de medida mitigadora toda
modificação do equipamento e/ou procedimentos de pesca,
desenvolvida com o objetivo de reduzir a probabilidade de que
aves marinhas sejam capturadas incidentalmente. A compreensão
dos fatores que afetam a captura das aves é fundamental para a
escolha das medidas mitigadoras.
As medidas aqui descritas foram, em sua maioria, amplamente
testadas, tendo comprovada eficácia no mar. O uso combinado
dessas medidas (por exemplo, a largada noturna e a utilização de
toriline), aliadas à redução dos descartes, reduz
significativamente a captura de albatrozes e de outras aves
marinhas.
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Conheça as principais medidas mitigadoras já
testadas:
Espantador de aves ou Toriline
Largada noturna do espinhel
Iscas azuis
Iscas descongeladas
Limitação dos descartes
Aumento do peso do espinhel
Limitação da pesca
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- Espantador de aves ou "Toriline" |
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Desenvolvido a partir de um modelo japônes, o espantador de aves
é conhecido como toriline (tori = ave, em japonês). É um
mecanismo muito eficiente para evitar a captura de aves, que
ficam incomodadas com a presença de objetos estranhos pendurados
na área de lançamento do espinhel e assim se mantêm afastadas,
mesmo quando o alimento é visível. Contudo, deve ser
corretamente utilizado para que a sua eficácia seja completa.

O desenho mais eficaz consiste em um cabo que se mantém tenso a
certa altura da popa da embarcação (de onde são lançados os
anzóis iscados na largada do espinhel), no qual são pendurados
fitas ou cabos coloridos que balançam. Para uma maior
efetividade, sempre devem ser utilizados em par, ou seja, um
cabo em cada bordo da embarcação, sempre na popa.
A construção do espantador de aves tem um custo muito reduzido,
já que pode ser construído com materiais disponíveis na própria
embarcação ou de fácil e barata aquisição. O correto emprego de
um toriline duplo evita, por si só, 80% dos ataques das aves. A
utilização do toriline é obrigatória na pesca ao redor da
Antártica, sendo recomendado o seu uso duplo. Pode ser
necessário um período de adaptação até que o toriline duplo seja
utilizado sem produzir enredamento.

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- Largada noturna do espinhel |
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Os albatrozes e boa parte das outras aves marinhas alimentam-se
preferencialmente durante as horas de luz; somente alguns
petréis são capazes de alimentar-se em plena escuridão. Essa
medida é especialmente eficaz quando acompanhada de uma redução
total das luzes no convés do barco e quando a pesca ocorre em
noites encobertas e/ou com lua nova. Quando da largada do
espinhel, o barco deve manter acesas apenas as luzes
imprescindíveis de navegação e segurança.
Trabalhar no escuro é especialmente incômodo para a tripulação,
particularmente quando o mar está revolto. Entretanto, sabe-se
que em pescarias em que o horário de largada é estritamente
noturno (por exemplo, a pesca do espadarte com balizas luminosas
ou nas regiões em que a largada noturna é obrigatória), a
incidência de capturas é mínima.
A captura de espécies ativas à noite, como a Pardela-preta,
também pode ser reduzida se o lançamento for evitado nas
primeiras horas após o crepúsculo ou antes do alvorecer.
A captura de aves aumenta em noites claras com lua, quando
muitas aves podem estar ativas e acompanhar a embarcação: de
três a seis vezes mais aves são capturadas em noites enluaradas,
em comparação com as noites sem lua. Isso reforça a recomendação
de que o lançamento noturno deve ser combinado com outras
medidas mitigadoras.
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- Isca azul |
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Essa medida foi desenvolvida no Havaí, onde os pescadores
começaram a tingir iscas na tentativa de aumentar a captura de
peixes. Há evidências de que iscas azuis também são menos
atraentes para tartarugas marinhas e não afetam a captura de
peixes como espadartes e atuns.
O uso de iscas azuis foi posteriormente adaptado para o Brasil,
onde têm sido adotadas por tripulações de espinheleiros por pelo
menos seis anos. A idéia original partiu dos pescadores de
espadarte, que já vinham tingindo iscas de azul-brilhante para
aumentar as capturas de peixes. Pesquisadores brasileiros
aumentaram a coloração externa para o azul-índigo, o que faz com
que a isca se camufle com a cor do mar e se torne invisível para
as aves. Essa coloração mais intensa não é permanente e ao se
diluir, a isca mantém uma camada mais profunda de
azul-brilhante, conservando intacta sua atratividade para os
peixes.3
Em relação às aves, o tingimento é uma medida muito eficaz,
especialmente se aplicada de forma combinada com outras medidas,
como a largada noturna e o toriline. A isca tingida de azul vem
sendo utilizada regularmente por pesc adores nas regiões sudeste
e sul do Brasil, já que demonstrou ser eficiente também como um
elemento atrativo para os peixes. A tinta empregada é um corante
alimentício que não interfere na qualidade do pescado obtido e
que é inofensiva para o pescador que a manipula. Trata-se de uma
medida de baixo custo, já que a quantidade de tinta empregada é
pequena. O corante também faz com que as iscas fiquem mais
resistentes e assim permaneçam mais tempo nos anzóis, o que
possibilita serem utilizadas mais de uma vez.
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- Isca descongelada |
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A isca congelada é menos densa que a água e, portanto, flutua.
Quando descongelada, aumenta a sua densidade e o anzol afunda
mais rápido. Estudos recentes com a lula argentina (a isca
congelada mais utilizada) demonstram que os resultados que
propiciaram menores índices de captura de aves são conseguidos
quando as iscas estão apenas parcialmente descongeladas, já que
essa é a condição em que afundam mais rápido.
O descongelamento de iscas, mesmo que parcial, requer espaço, o
que pode implicar alguns problemas em barcos pequenos.
Entretanto, a diferença em flutuabilidade é grande e isso pode
impedir que as aves alcancem os anzóis, o que é extremamente
proveitoso, tanto para a pesca quanto para a conservação das
aves.
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- Limitação dos descartes |
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Considerando que um dos objetivos é não atrair as aves para
perto do espinhel, deve-se restringir o despejo de restos de
peixes no mar, de forma que em nenhum momento isso coincida com
a largada do equipamento. A melhor prática é armazenar os restos
para descartá-los mais tarde. Quando isso ocorrer, é altamente
aconselhado triturá-los primeiro e, se possível, fazê-los chegar
à água por meio de um tubo. Quanto menos visíveis forem os
restos, menor será a aglomeração das aves. Deve-se evitar
jogá-los pela borda enquanto os anzóis estiverem na superfície.
Quando não houver outra solução, pode-se lançar os descartes
enquanto se está recolhendo o espinhel, mas isso deve ser feito
pelo costado oposto àquele em que estão os anzóis. Como última
solução, pode-se usá-los para desviar a atenção das aves durante
a largada do espinhel.
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- Aumento do peso do espinhel |
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Mesmo que algumas espécies possam mergulhar 20 m ou mais, a
maioria das aves marinhas não consegue submergir mais que uns
poucos metros. Por isso, é importante que tanto a linha
principal quanto as secundárias afundem rapidamente, para que os
anzóis fiquem fora do alcance das aves o mais rapidamente
possível. Uma medida eficaz é aumentar o peso do equipamento.
A situação ideal é que os anzóis afundem a uma velocidade mínima
de 0,3 m/s, que parece ser uma velocidade segura para as aves.
Para isso, pode-se juntar peso à linha principal ou às
secundárias. Também podem ser utilizadas linhas secundárias de
aço recobertas por capa plástica. Outra possibilidade é utilizar
aço trançado em lugar de monofilamento de náilon na linha
principal: mesmo com peso similar, o aço "corta" a água com
maior efetividade.
Juntar lastro à linha principal pode implicar em uma complicação
adicional, especialmente quando se usam mecanismos de
recolhimento automático. Assim, freqüentemente é necessário um
período de adaptação para que a tripulação se familiarize e não
sejam produzidos nós. Entretanto, uma velocidade de afundamento
superior também significa mais tempo de pesca, pois é
considerável o tempo que um espinhel, sem pesos, leva para
alcançar grande profundidade.
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- Limitação da pesca |
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Limitar os direitos de pesca é a mais drástica medida para
evitar a captura de aves na pesca com espinhel. É evidente a
relação: se anzóis não são jogados ao mar, não há capturas
incidentais. Contudo, essa medida prejudicaria uma atividade
econômica importante, afetando também os trabalhadores e seus
dependentes - que subsistem da pesca - e só deve ser aplicada em
casos extremos, quando todas as demais medidas não surtirem o
efeito desejado. No âmbito da CCAMLR - Comissão para a
Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos (por exemplo,
na zona 48.3, ao redor das Ilhas Geórgia do Sul) é proibida a
pesca com espinhel durante a época em que os albatrozes estão
presentes nas colônias de reprodução.Nos demais meses a pesca é
liberada, mas com as condições impostas pela Comissão.
Nas pescarias do Alasca - EUA, a legislação estabelece que a
temporada de pesca seja suspensa no momento em que dois ou mais
exemplares do Albatroz-de-cauda-curta Phoebastria albatrus -
espécie ameaçada com uma população mundial muito reduzida -
forem capturados.
As medidas mitigadoras descritas neste site servem justamente
para evitar a introdução de limitações à pesca. A aplicação
correta dessas medidas, bem como o contínuo estímulo ao
desenvolvimento de novos métodos para evitar a morte de aves nas
pescarias, deverá desembocar na situação ideal: possibilitar a
continuidade das atividades pesqueiras e a existência das
populações de aves marinhas
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