Os resultados de experimentos do Projeto Albatroz para evitar a captura de albatrozes e petréis, aves marinhas ameaçadas de extinção, serão apresentados em encontro internacional no Equador entre os dias 22 e 24 de agosto. A reunião é promovida pelos países membros do Agreement on the Conservation of Albatrosses and Petrels (ACAP, ou Acordo Internacional para Conservação de Albatrozes e Petréis, em português) e será realizada no Unipark Hotel, em Guayaquil.
Os testes do Projeto Albatroz serão apresentados durante a reunião do grupo técnico de trabalho do ACAP que pesquisa e desenvolve medidas para reduzir a captura não-intencional de aves marinhas por barcos de pesca em todo o mundo. Entre os resultados apresentados, estão os obtidos com os testes realizados no Brasil em junho deste ano com o hook pod, um aparelho que impede que a ave seja “fisgada” ao tentar comer a isca lançada pelos barcos e, como consequência, morra afogada. No mundo, esse foi o primeiro teste realizado com o aparelho em situação real e os resultados do seu desempenho estão incluídos no estudo que será apresentado pelo pesquisador Ben Sullivan, da Birdlife International, organização parceira do Projeto Albatroz, que é patrocinado pela Petrobras, através do Programa Petrobras Ambiental.
a produção pesqueira com o uso do hook pod: 251 peixes foram capturados quando o dispositivo foi usado; sem ele, a quantidade baixou para 219. “O desempenho foi melhor com a utilização do hook pod. No entanto, outras informações são necessárias para o alcance de resultados mais precisos”, explica Fabiano Peppes, coordenador técnico do Projeto Albatroz.Ainda durante este ano, serão realizados pelo menos mais três testes com o aparelho.
Além das pesquisas sobre o uso do hook pod, o Projeto Albatroz também apresentará os resultados positivos dos estudos do aprimoramento do toriline, um equipamento usado para afugentar as aves, e da utilização do peso que afunda a linha de pesca mais perto do anzol, aumentando a sua velocidade de submersão e, assim, diminuindo o tempo disponível das iscas na superfície para as aves. Essas pesquisas, realizadas em 2010, subsidiaram a Instrução Normativa Interministerial nº 04, dos Ministérios da Pesca e Aquicultura e do Meio Ambiente, publicada este ano e estabelecendo o uso dessas duas medidas – toriline e peso mais próximo do anzol - pelos barcos de pesca que operam no Sudeste e Sul do Brasil. A Instrução Normativa atende a recomendações internacionais, feitas pela Comissão para Conservação dos Atuns do Atlântico (ICCAT), e também segue as diretrizes do ACAP.