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Pesca - A Pesca com Espinhel |
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A PESCA COM ESPINHEL |
Esta pescaria é realizada pelas
frotas espinheleiras nacionais e arrendadas baseadas nos portos
das regiões sul e sudeste (Santos - SP, Itajaí - SC e Rio Grande
- RS) e nordeste (Recife - PE, Cabedelo - PB e Natal - RN). Essa
atividade iniciou-se no Brasil em 1958, introduzida por
japoneses, sofrendo várias interrupções e alterações
tecnológicas. A partir de 1994 os barcos operando na ZEE
brasileira trocaram o modelo japonês de espinhel, mais pesado,
que necessitava de mais pessoal e era voltado para a captura
preferencial de atuns, pelo modelo americano mais leve, voltado
para a pesca do espadarte ou meca Xiphias gladius. Nota-se um
grande crescimento da frota dedicada a esta atividade, com maior
participação de embarcações arrendadas nos últimos anos.
O petrecho de pesca conhecido como espinhel pelágico, de
superfície ou boiado, consiste de uma linha principal de
poliamida monofilamento com cerca de 80 km, na qual são presos
800 a 1.200 anzóis iscados em linhas secundárias com grampos de
metal ("snaps"). O conjunto afunda lentamente até profundidades
que variam de 45 a 80 m, menos que a profundidade de pesca dos
espinhéis japoneses que variava dos 70 aos120 m. Os barcos assim
equipados buscam capturar espécies como espadarte, atuns e
tubarões. A isca é a lula argentina Illex argentinus, geralmente
importada da Argentina e Uruguai. Também são utilizadas
sardinhas (Sardinella brasiliensis) e cavalinhas (Scomber
japonicus). Iscas importadas de países sul-americanos com costa
no Pacifico também podem ocorrer.
Bastões luminosos (light-sticks) são presos às linhas
secundárias para atrair peixes, e o lançamento do espinhel é
feito logo após o pôr do sol para tirar proveito do
comportamento da principal espécie-alvo, o espadarte. No verão,
no entanto, como o pôr do sol ocorre mais tarde, especialmente
em altas latitudes, os espinhéis começam a ser largados em
horários ainda com luz do sol de forma a evitar que a operação
de largada do espinhel, que dura em média cinco horas e meia se
estenda até muito tarde da noite. A frota que opera com espinhel
pelágico e que se encontra baseada em portos da região sul e
sudeste do Brasil é, em sua maioria, composta por embarcações
nacionais, sendo que a proporção entre embarcações nacionais e
estrangeiras variou de 28:3 em 2000 para 23:5 em 2002.
Atualmente não há embarcações estrangeiras baseadas nos protos
do sul e sudeste do Brasil que utilizam essa rate de pesca.
A área de atuação dessa frota está concentrada em três
principais regiões: ao largo da costa de São Paulo, Santa
Catarina e Rio Grande do Sul, a Elevação de Rio Grande e o Canal
de Hunter, e em menor escala a cadeia submarina de
Vitória-Trindade). A escolha da área de pesca pelo mestre da
embarcação se dá de forma empírica e vários são os fatores que
determinam essa escolha, como temperatura da superfície do mar,
profundidade e época do ano. De qualquer maneira, a distribuição
do esforço de pesca da frota em questão parece ser, dentre todas
as pescarias conhecidas no Brasil, a que mais se sobrepõe a
distribuição das aves. É por esse motivo que, apesar de aplicar
uma menor quantidade de anzóis comparada à frota arrendada de
espinhel pelágico do norte e nordeste, esta pescaria é
considerada a que oferece maiores riscos de captura incidental
das aves marinhas.
O controle da captura incidental de aves pela pesca com espinhel
no Brasil é necessário para a preservação da biodiversidade
deste país e das outras regiões por onde passam os albatrozes e
petréis cujo ciclo de vida inclui períodos de permanência nas
águas brasileiras.
No ano de 1998, os países membros da FAO adotaram o "Plano
Internacional de Ação para Aves Marinhas". No caso do Brasil, a
existência e a magnitude do problema já foram claramente
evidenciadas para a Região Sudeste-Sul. A solução do problema
consiste na adoção de "medidas mitigadoras", que são técnicas
utilizadas na pesca e que não eliminam totalmente o problema,
mas que reduzem as capturas acidentais de aves. |
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