Skip Navigation Links
Home
Projeto Albatroz
Albatroz e Petréis
Participe do Projeto Albatroz
Cadastre-se
Fale Conosco
 
 
 
 
 
 
Clique aqui e confira outros produtos em nossa loja!
 
Camiseta Projeto Albatroz
R$ 20,00
     
Principais Espécies
Principais Espécies
Pelo menos 20 espécies de aves marinhas interagem com a pesca de espinhel em águas brasileiras seguindo embarcações e alimentando-se de descartes. No entanto, várias dessas espécies alimentam-se apenas na superfície, acompanham embarcações apenas brevemente ou são de porte pequeno demais para engolir anzóis iscados e assim serem capturadas. Entre estas podemos listar as Grazinas Pterodroma incerta, P. mollis, os petréis Calonectris diomedea borealis, Calonectris edwardsii, Puffinus puffinus, Puffinus griseus, o alma-de mestre Oceanites oceanicus, a fragata Fregata magnificens, o atobá Morus capensis e diversas espécies de mandrião Stercorarius spp.

É interessante notar que Petrel-do-bico-amarelo Calonectris diomedea é vítima de espinhéis no Hemisfério Norte, mas isso ainda não foi constatado no Atlântico Sul-Ocidental, onde em geral parecem ignorar as embarcações e estarem mais associados a cardumes de bonito e outros tunídeos.

A seguir é apresentado um sumário sobre as principais espécies de albatrozes e petréis que interagem com a pesca no Brasil. O status das espécies segue a classificação e os critérios da União Internacional para Conservação da Natureza www.redlist.org.
Albatroz-errante - Diomedea exulans
Albatroz-real-meridional -
Diomedea epomophora
Albatroz-de-Tristão ou Albatroz-de-Gough -
Diomedea dabbenena
Albatroz-real-setentrional -
Diomedea sanfordi
Albatroz-negro -
Phoebetria fusca
Albatroz-de-bico-amarelo-do-Atlântico -
Thalassarche chlororhynchos
Albatroz-de-cabeça-cinza -
Thalassarche chrysostoma
Albatroz-de-sobrancelha-negra -
Thalassarche melanophris
Pardela-de-óculos -
Procellaria conspicillata
Pardela-preta -
Procellaria aequinoctialis
Petrel -gigante-do-sul -
Macronectes giganteus
Bobo-grande-de-sobre-branco -
Puffinus gravis
Pardelão-prateado - Fulmarus glacialoides
Albatroz-errante - Diomedea exulans Topo

CARACTERÍSTICAS GERAIS

Os juvenis deixam o ninho com plumagem quase totalmente marrom, que vai clareando com a idade. Os machos tendem a tornar-se mais brancos que as fêmeas. Machos das Ilhas Geórgia do Sul pesam entre 8,19 e 11,9 kg e fêmeas entre 6,35 e 8,71 kg, com envergadura variando de 2,72 até incríveis 3,45 m, sendo os machos maiores que as fêmeas. Nidificam em colônias dispersas com posturas realizadas entre dezembro e fevereiro. A incubação dura 11 semanas, sendo dividida entre os pais. O único filhote leva 40 semanas para deixar o ninho, o que ocorre entre novembro e fevereiro. O longo período reprodutivo (55 semanas) faz com que essa espécie se reproduza apenas bi-anualmente. Casais bem sucedidos podem retornar à colônia apenas após 3 ou 4 anos. Em 1997 havia 19 aves com 39 anos de idade nidificando em Bird Island (Ilhas Geórgia do Sul), e é provável que alguns indivíduos ultrapassem os 50 anos de idade.

O Albatroz-errante e os outros grandes albatrozes capturam presas principalmente na superfície, tendo limitada capacidade de submergir. Aves das Ilhas Geórgia do Sul alimentam-se principalmente de lulas (35% da massa consumida pelos filhotes: Kondakovia longimana, Histiotheutis eltaninae, Illex sp., Galitheutis glacialis) e peixes (45% da massa consumida pelos filhotes, as espécies mais importantes sendo Pseudochaenichys georgicus, Chaenocephalus aceratus e Muraenolepis microps). As duas últimas espécies são demersais (vivem na profundidade dos oceanos), devendo ter sido obtidas como descartes ou corpos flutuantes após a desova. Os albatrozes também consomem carniça (como mamíferos marinhos mortos), tunicados, águas-vivas e crustáceos (como "krill lagosta" Munida gregaria). A maior parte do alimento é obtida durante o dia, embora haja algum comportamento de alimentar-se a noite.

Muitas das lulas consumidas são espécies de grande porte (Kondakovia longimana pesa em média 3 kg) e devem ser consumidas como carniça, mas os albatrozes podem capturar lulas grandes na superfície durante a noite, quando estas realizam migrações verticais, do fundo ara a superfícies do mar. A predisposição da espécie em consumir presas mortas faz com que se associe a barcos pesqueiros para aproveitar descartes, sendo bastante agressiva ao disputar restos com outras aves.

STATUS

A população mundial é estimada em c. 8.500 pares reprodutivos anuais, o que corresponde a um total de c. 28.000 indivíduos maduros. A população das Ilhas da Geórgia do Sul caiu 28% entre 1960 e 1996 (0,8% ao ano), o que coincidiu com a diminuição na expectativa de sobrevivência dos adultos e dos jovens.

A espécie é considerada globalmente Vulnerável (VU, critérios A1b,d; A2b,d) pela IUCN e listada no Apêndice II da Convenção de Espécies Migratórias (CMS).
Albatroz-real-meridional - Diomedea epomophora Topo
CARACTERÍSTICAS GERAIS

Comparado ao Albatroz-errante e Albatroz-de-Tristão Diomedea exulans e D. dabbenena, apresenta as narinas bulbosas, bico mais largo e robusto e a borda da maxila negra. Os juvenis deixam o ninho com plumagem similar à dos adultos, com a diferença sendo a face superior das asas negras e um número variável de penas escuras no dorso produzindo um efeito de finas manchas. Com o tempo a face superior das asas começa a adquirir branco a partir de sua borda anterior, até tornar-se quase totalmente branca em exemplares muito velhos. A cauda também torna-se branca (Albatroz-errante mantém a maioria das retrizes com pontas negras). A envergadura máxima é de 3 m. Os machos são maiores, pesando entre 8,1 e 9,4 kg, enquanto as fêmeas oscilam entre 6,5 e 9,0 kg.

As primeiras posturas são feitas em novembro ou dezembro, com os ovos eclodindo em fevereiro ou março. Os juvenis deixam os ninhos após oito meses, de outubro a novembro. Os casais nidificam minimamente a cada dois anos quando bem sucedidos. O sucesso reprodutivo na Ilha Campbell (Nova Zelândia) teve uma média de 58% ao longo de três anos.

Enquanto o Albatroz-errante se alimenta sobre o talude continental, fora da plataforma continental, o Albatroz-real é encontrado nas águas mais costeiras, sobre a plataforma. Nas Ilhas Campbell a dieta consiste de 75% de cefalópodos (Morotheutis inges, Kondakovia longimana, Taonius pavo) 21% de peixes, 3% de crustáceos e 1% de salpas. Dois indivíduos encontrados no Rio Grande do Sul haviam se alimentado do peixe Ctenosciaena gracilicirrhus e das lulas Ommastrephes bartrami, Lycoteuthis diadema, Cyclotheuthis sp . e Grimalditheuthis sp .

STATUS

A população da Ilha Campbell (99% da população mundial) é estimada em 8.200-8.600 de casais tendo se estabilizado após um crescimento aparente na década de 1980. A espécie é considerada globalmente Vulnerável (VU, critério D2) pela IUCN, e listada no Apêndice II da Convenção de Espécies Migratórias (CMS).
Albatroz-de-Tristão ou Albatroz-de-Gough - Diomedea dabbenena Topo

CARACTERÍSTICAS GERAIS


A população do Albatroz-de-Tristão ganhou status específico pleno (antes era considerada apenas uma sub-espécie de Diomedea exulans, espécie que também englobava o Albatroz-errante da Geórgia do Sul entre outras) apenas recentemente com base em estudos moleculares. Estas aves diferenciam-se de Albatroz-errante pelas menores medidas das asas, dos tarsos e, notavelmente, do bico. O bico varia de 14,4 a 15,8 cm nos machos e de 13,8 a 15,0 cm nas fêmeas, enquanto que o Albatroz-errante tem bicos de 16,2 a 18,0 cm para os machos e de 15,2 a 17,2 cm para as fêmeas. A altura do bico é similar à de Albatroz-errante, dando um perfil comparativamente robusto às aves. Os machos tem bicos mais altos na base e robustos que as fêmeas. Um macho tinha 2,83 m de envergadura.

Uma característica importante é que o Albatroz-de-Tristão não apresenta estágios de plumagem tão claros como os apresentados pelo Albatroz-errante. Especialmente as fêmeas mantém por toda a vida uma plumagem mais escura, especialmente na cabeça, pescoço e peito. Uma característica importante é a manutenção de uma faixa peitoral escura mesmo quando as costas da ave já adquiriram cor branca. Juvenis dessa espécie deixam o ninho com uma plumagem mais pálida e acinzentada que filhotes do Albatros-errante.

Adultos em incubação são observados na Ilha Gough em janeiro e fevereiro, enquanto filhotes já com o tamanho dos pais, mas cobertos de penugem, estão presentes em setembro, deixando os ninhos em novembro ou dezembro. A espécie nidifica bi-anualmente. O sucesso reprodutivo (número de jovens que voam do ninho / número de ovos postos) é de 46 a 69%. Os jovens começam a retornar às colônias com 4 ou 5 anos de idade. A filopatria (fidelidade ao local do nascimento) é bastante elevada (80% das aves volta à sua colônia natal). Os albatrozes da Ilha Gough em geral começam a se reproduzir entre 8 e 9 anos de idade mas alguns chegando a nidificar com 6 anos, enquanto que os Albatrozes-errantes começam com 10 a 12. A maior longevidade registrada para uma ave anilhada foi de 22 anos.

O principal item da dieta das aves em Gough durante o período reprodutivo são lulas Histiotheutidae (6 espécies diferentes), mas pelo menos outras 18 espécies de cefalópodes também são consumidos. Exemplares acompanhando espinheleiros fora da costa do Brasil alimentam-se tanto de iscas descartadas (lulas Illex argentinus) como de vísceras de peixes, notadamente o fígado de tubarões.

STATUS

Um censo feito em Gough em 1999-2000 encontrou 1.129 filhotes, equivalentes a 1.500 pares reprodutivos, sugerindo uma população global de 9 mil indivíduos. Esta é considerada estável. Apenas um filhote foi encontrado na ilha Inacessível no Arquipélago de Tristão da Cunha. A espécie é classificada como globalmente Em Perigo (EN, critérios B1+2e) pela IUCN e listada no Apêndice II da Convenção de Espécies Migratórias (CMS).
Albatroz-real-setentrional - Diomedea sanfordi Topo
CARACTERÍSTICAS GERAIS

Os adultos distinguem-se do Albatroz-real-austral e do Albatroz-errante pela combinação única de dorso branco com a face superior das asas totalmente negras. Os juvenis deixam o ninho com plumagem similar à dos adultos, a diferença sendo um número variável de penas escuras no dorso produzindo um efeito manchado, e algumas penas escuras no alto da cabeça. Apresenta as narinas bulbosas e a borda da maxila negra como Albatroz-real-austral, sendo significativamente menor (p. ex. machos tem bicos de 16,5 a 17,2 cm, comparados a 17,9 a 18,8 cm no Albatroz-real-austral). Adultos das Ilhas Chatham - Nova Zelândia pesam de 6,35 a 6,6 kg.

As aves começam a retornar às colônias de reprodução em setembro e as posturas ocorrem no final de outubro (Taiaroa Head - Nova Zelândia) e meados de novembro (Ilhas Chatham). A incubação dura em média 79 dias e o jovem deixa o ninho após 32 a 38 semanas. A nidificação leva, assim, uma média de 46 semanas, de forma que a reprodução é bi-anual. Os jovens ficam no mar de 4 a 8 anos antes de retornar à colônia natal. As aves começam a se reproduzir entre 6 a 11 anos. A maior longevidade para uma ave anilhada é de 61 anos. Este exemplar estava se nidificando e produziu um filhote antes de desaparecer.

O sucesso reprodutivo em Taiaroa Head ao longo de 17 anos foi, em média, de 31%. Estima-se que 57% dos jovens sobrevivam até terem idade para reproduzir e a porcentagem de sobrevivência dos adultos na década de 1990 era de 94,6 a 95,3%, menor que os 98,9% estimados na década de 1940-50. Nas Ilhas Chatham a produtividade anual entre 1990-1996 foi de apenas 18% devido à degradação da cobertura vegetal, o que causa a quebra de ovos e a inundação de ninhos.

A dieta nas Ilhas Chatham é constituída em massa de 85% de cefalópodos (incluindo Morotheutis ingens, Architeuthis sp. e Histiotheuthis atlantica), 14% de peixes e 1% de salpas. Em Taiaroa Head as aves consomem 80% de cefalópodes (incluindo polvos aparentemente obtidos de descartes), 15% de peixes, 3% de crustáceos e 2% de salpas.

STATUS

A população das ilhas Chatham (99% da população global) é estimada em 6.500-7.000 pares, e 27 casais estavam presentes em Taiaroa Head em 1995, incluindo cinco híbridos. A espécie é considerada globalmente Em Perigo (EN, critérios A2c; B1+2c,e) e listada no Apêndice II da Convenção de Espécies Migratórias (CMS).
Albatroz-negro - Phoebetria fusca Topo

CARACTERÍSTICAS GERAIS Um dos albatrozes mais distintos com sua plumagem escura e cauda longa. Similar ao Albatroz-do-manto-de-luz Phoebetria palpebrata, que também ocorre no Brasil, distingue-se pelo dorso marrom apenas pouco mais claro que a cabeça e pescoço (o contraste é muito maior no Albatroz-do-manto-de-luz, que tem o dorso cinza-pálido) e pelo sulco mandibular amarelo (azul ou violeta na outra espécie). Têm envergadura 2de dois metros e machos de Tristão da Cunha pesam 2,5 a 3 kg enquanto que as fêmeas pesam entre 1,8-2,5 kg.

Um ciclo reprodutivo leva sete meses, mas os casais nidificam bi-anualmente. Os ninhos são construídos em terreno íngreme, como falésias. Em Tristão da Cunha os adultos retornam do mar em setembro e os primeiros ovos são postos de forma bastante sincronizada na primeira semana de outubro. A incubação dura cerca de 70 dias. O casal se reveza e cada turno de incubação dura de 1 a 21 dias. Um dos pais sempre fica com o filhote durante os primeiros 20 dias. Depois disso o filhote é deixado sozinho, exceto quando alimentado. Os juvenis deixam o ninho próximo aos 164 dias de vida. Os pais continuam a alimentar o juvenil até este deixar o ninho, não havendo abandono como em outros albatrozes e petréis. O sucesso reprodutivo varia muito de ano para ano, com uma média de 43% nas Ilhas Crozet, no Índico. A idade média de primeira reprodução é de 12 ou 13 anos e a expectativa de vida é de mais 19,5 anos. A sobrevivência dos adultos é de 90 a 97% e a dos juvenis é de 22%.

A dieta não tem sido estudada em detalhes no Atlântico, mas nas Ilhas Crozet 70% em massa da dieta dos filhotes é peixe (especialmente o Myctophidae electrona carlsbergi), 14% lulas (principalmente Galitheuthis glacialis, Kondakovia longimana, Morotheuthis knipovitchi), 13% crustáceos (krill) e 3% carniça. Nas Ilhas Prince Edward peixes corresponderam a 32%, lulas a 32%, crustáceos a 23% e carniça a 1%. As lulas predadas têm entre 100 e 300 g, mas restos de indivíduos muito maiores (até 5 kg) ocorrem nas amostras. Esta é umas das espécie da Ordem dos Procellariiformes com vôo mais ágil e é um dos albatrozes com maior capacidade de mergulho, atingindo até 12 m.

STATUS

Há 5.000-10.000 pares na Ilha Gough e 4.125-5.250 em Tristão da Cunha. A espécie é considerada globalmente Vulnerável (VU, critério A1b) e consta do Apêndice II da Convenção de Espécies Migratórias (CMS).
Albatroz-de-bico-amarelo-do-Atlântico - Thalassarche chlororhynchos Topo

CARACTERÍSTICAS GERAIS


A característica principal da espécie é a faixa amarela ao longo da face dorsal da maxila, terminando em um desenho arredondado. Este é pontiagudo na espécie-irmã Albatroz-de-bico-amarelo-do-Índico Thalassarche carteri. O Albatroz-de-bico-amarelo-do-Atlântico apresenta a cabeça e pescoço acinzentado, mais claro no vértice, enquanto que o Albatroz-de-bico-amarelo-do-Índico tem a cabeça branca, exceto por uma sombra de cinza na face. É um dos menores albatrozes; a envergadura de quatro exemplares variou de 1,98 a 2,07 m. Os machos parecem ser maiores, como em outros albatrozes. Exemplares da Ilha Gough pesam entre 1,78 e 2,84 kg.

As primeiras aves chegam às áreas de nidificação em meados de agosto. Na ilha de Nightingale (Arquipélago de Tristão da Cunha) a maioria dos ovos é posta entre 10 e 20 de setembro, eclodindo no início de dezembro, após aproximadamente 78 dias de incubação. Na Ilha Gough as posturas são feitas em setembro e outubro, os primeiros filhotes surgem no final de novembro e em 2 de dezembro 75% dos ovos haviam eclodido. No final de dezembro a maioria dos filhotes estava grande o suficiente para ser deixada sozinha. Em Tristão da Cunha e Gough os jovens deixam a colônia no final de abril ou início de maio. A espécie nidifica anualmente. A expectativa anual de sobrevivência de adultos nas Ilhas Inacessível e Nightingale foi de 84%, enquanto que para os juvenis da Ilha Inacessível foi de 82%.

A dieta e ecologia da espécie são mal conhecidas, mas cefalópodos estavam presentes em todos os conteúdos estomacais de exemplares coletados em Gough, enquanto peixes e anfípodos ocorreram em algumas amostras

STATUS

Não há censos recentes disponíveis. Em 1972-73 estimava-se que a população de Tristão da Cunha era de cerca de 20.000 pares, e a de Gough 7.500. Há evidências de que a população da Ilhas Inacessível (1.100 pares em 1982) e Gough diminuíram sensivelmente desde a década de 1980. A espécie é considerada Quase Ameaçada (NT/lr) pela IUCN mas o fato de nidificar em 5 localidades e haver evidências de declínio populacional é suficiente para considerá-la Vulnerável (VU, critérios B1,B2e,D2).
Albatroz-de-cabeça-cinza - Thalassarche chrysostoma Topo
CARACTERÍSTICAS GERAIS

Os adultos são bastante característicos devido à cabeça cinza-ardósia e o bico com largas faixas amarelas. Os juvenis têm a cabeça amarronzada e o bico negro. A envergadura é de 2,1-2,4 m. Machos das Ilhas Geórgia do Sul pesam entre 3,9 e 4,3 kg, e as fêmeas entre 3,5 e 4,2 kg.

As colônias mostram grande variação inter-anual na quantidade de aves reproduzindo. As aves chegam às Ilhas Geórgia do Sul em meados de setembro, as posturas dos ovos são realizadas em outubro, eclodindo em dezembro ou janeiro. Cerca de 60% dos ovos eclodem e 65% dos filhotes produzidos sobrevivem para deixar os ninhos em meados de maio-junho. A filopatria (fidelidade ao local do nascimento) é elevada e 85% das aves nidifica na colônia em que nasceu. O sucesso reprodutivo nas Ilhas Geórgia do Sul é, em média, de 39%, com variações anuais significativas em todos os parâmetros reprodutivos. Os filhotes crescem mais lentamente que os de Albatroz-de-sobrancelha-negra (aparentemente devido ao krill consumido em grande quantidade pela última ter mais cálcio e energia) e os casais em geral nidificam bi-anualmente quando bem sucedidos, mas intervalos maiores que dois anos são comuns. A probabilidade de sobrevivência anual dos adultos das Ilhas Geórgia do Sul caiu de 95 para 93% na década passada, coincidindo com uma redução de recrutamento de 35% para 5%. A idade média de primeira reprodução é de doze anos.

Aves das Ilhas Geórgia do Sul alimentam-se principalmente de cefalópodos (49% da massa consumida, 91% correspondendo à lula Martialia hyadesi), peixes (35%, 1/3 sendo de lampreias Geotria australis) e krill (17%). Há variações anuais (especialmente quanto ao uso de krill) mas lulas e peixes são presas dominantes. As aves realizam mergulhos quando voando ou da superfície, atingindo pelo menos 5 m de profundidade e há sugestões de que se alimentem também à noite. No Brasil não parece seguir embarcações de forma consistente mas mais ao sul (Ilhas Malvinas/Falklands) é um membro ativo dos grupos de aves que procuram descartes de pesqueiros.

STATUS

A população em Bird Island (6.857 pares em 1991), Ilhas Geórgia do Sul, declinou cerca de 30% desde 1975, e a taxa de recrutamento caiu de 35 para 5%. As aves jovens são mais vulneráveis à captura por espinheleiros pelágicos. A espécie é listada como globalmente Vulnerável (VU, critérios A1b,d; A2b,d) e consta do Apêndice II da Convenção de Espécies Migratórias (CMS).
Albatroz-de-sobrancelha-negra - Thalassarche melanophris Topo

CARACTERÍSTICAS GERAIS


Os adultos são brancos com asas negras e o característico bico alaranjado com a ponta avermelhada. Há uma evidente faixa ocular escura (compartilhada com outras aves do gênero Thalassarche). Os juvenis deixam o ninho com uma faixa peitoral amarronzada e o bico negro, que depois torna-se amarronzado com a ponta enegrecida. A envergadura máxima é de c. 2,5 m. Nas Ilhas Géorgia do Sul os machos pesam entre 3,4 e 4,7 kg e as fêmeas entre 2,9 e 3,8 kg.

Pesquisadores britânicos encontraram diferenças genéticas entre aves das Ilhas Malvinas/Falklands e das Ilhas Geórgia do Sul tão grandes quanto entre estas e Thalassarche impavida, a espécie-irmã endêmica da Ilha Campbell (Nova Zelândia).

Nas Ilhas Malvinas/Falklands as aves chegam às colônias no final de agosto ou início de setembro, realizando as posturas em outubro. Nas Ilhas Geórgia do Sul isso ocorre três semanas depois. A incubação leva aproximadamente 70 dias e os juvenis deixam o ninho após 120 dias o que acontece em meados de março ou abril para as aves das Ilhas Malvinas/Falklands. O ciclo reprodutivo relativamente curto permite que a espécie reproduza anualmente. Os jovens retornam às colônias quando têm entre 3 a 8 anos de idade e começam a se reproduzir quando tem 6 a 13 anos. A filopatria (fiselidade ao local onde nasceu) é elevada (58% dos juvenis voltam à colônia natal nas Ilhas Geórgia do Sul) e aves adultas não mudam de colônia. A sobrevivência anual dos adultos nessas ilhas é de 94% para machos e a 96% para fêmeas.

Nas Ilhas Geórgia do Sul a dieta é constituída por krill (40% da massa consumida), peixes (como Myctophidae e Channichtyidae), lampreias Geotria australis (39,5%) e cefalópodes (21%, especialmente a lula do gênero Todarodes). Nas Ilhas Malvinas/Falklands as presas principais são lulas (notadamente Loligo gahi) e peixes (como Micromesistius australis), que juntos constituem 90% da dieta. Medusas e crustáceos (krill-lagosta Munida gregaria) constituem o restante. Dessa forma, há importantes diferenças ecológicas entre as duas populações. Thalassarche melanophris tem razoável capacidade de mergulho e pode capturar presas a 5 m de profundidade.

O Albatroz-de-sobrancelha-negra é notável pelo entusiasmo e agressividade com que acompanha embarcações pesqueiras. Nessa ocasiões de alimenta de descartes e iscas, agrupando-se em grande número ao redor de espinheleiros em operação.

STATUS

Algumas populações nas Ilhas Geórgia do Sul tiveram uma redução de 45 a 64% entre 1976 e 1996. Em 1995 apenas 9.500 pares estavam presentes em Bird Island. No total, todas as populações ali monitoradas decresceram 31% naquele período. O sucesso reprodutivo e a expectativa anual de sobrevivência dos adultos também diminuiu. Nas Ilhas Malvinas/Falklands, que abrigam 80% da população mundial do Albatroz-de-sobrancelha-negra, com um total de 458.000 pares em 1995. No entanto, censos feitos em 2000 apontam uma rápida redução de pelo menos 86.500 pares na população das ilhas, estimada hoje em 382.000 pares. A colônia da Ilha de Steeple Jason, a maior do mundo, perdeu 41.200 pares, tendo hoje 150.000 casais reprodutivos.
A espécie é atualmente considerada Quase Ameaçada (LR/NT) pela IUCN mas o recente declínio nas Malvinas/Falklands e os observados em outras populações justificam a mudança de seu status para Vulnerável (critérios A2b).
Pardela-de-óculos - Procellaria conspicillata Topo

CARACTERÍSTICAS GERAIS


Semelhante a Pardela-preta Procellaria aequinoctialis distingue-se pela máscara facial ("óculos") branca, de forma e extensão variável e já visível nos ninhegos (filhotes ainda restritos ao ninho). Também tem medidas menores. O peso varia de 1 a 1,3 kg (média de 1,2 kg), significativamente menos que as Pardelas-pretas das Ilhas Geórgia do Sul.

Como a Pardela-preta, essa espécie cava túneis onde constrói o ninho. Esses túneis são freqüentemente construídos em solo encharcado ao longo de drenagens e riachos, e tem uma poça ou "fosso" na entrada. As posturas são feitas no início de outubro e a maioria eclode após meados de dezembro. Os juvenis deixam a colônia em março ou abril.

Alimenta-se de cefalópodos, crustáceos decápodos e peixes. Possui boa capacidade de mergulho (aves foram observadas atingindo pelo menos 6 m para obter descartes de espinheleiros). Parece ser muito mais diurna que a Pardela-preta.

STATUS

A população estimada em 1999 era de 3.800-4.600 pares reprodutivos. A espécie é classificada como Criticamente em Perigo (CR, critérios B1+2e) pela IUCN e listada no Apêndice II da Convenção de Espécies Migratórias (CMS).
Pardela-preta - Procellaria aequinoctialis Topo
CARACTERÍSTICAS GERAIS

Caracterizadas pela plumagem marrom-escura uniforme, bico claro e uma mancha branca abaixo do bico ("queixo") de extensão variável e às vezes ausente. A envergadura é de 1,3 a 1,4 m e os machos pesam até 1,4 kg, enquanto as fêmeas, um pouco menores, chegam a 1,3 kg.

Nas colônias reprodutivas apresentam comportamento noturno e nidificam em longos buracos escavados sob moitas de gramíneas e ciperáceas. As aves vocalizam para atrair seus parceiros. As aves chegam nas Ilhas Geórgia do Sul em setembro, e os primeiros ovos são encontrados após meados de novembro. A incubação dura cerca de 60 dias. Os ovos eclodem em janeiro e os filhotes atingem seu maior peso aos 82 dias, quando pesam mais que os adultos. Os jovens são então abandonados e deixam os ninhos com cerca de 100 dias de idade. O sucesso reprodutivo varia de 12 a 54%.

Indivíduos podem mergulhar a profundidades de 13 m, permanecendo submersos por 45 s. Nas Ilhas Geórgia do Sul, durante o período reprodutivo, a espécie se alimenta principalmente de krill, peixes-lanterna Myctophidae e lulas oceânicas (principalmente Martialia hyadesi), indicando hábito de alimentação noturna. Isto também foi observado por observadores abordo de embarcações espinheleiras. Na região da Corrente de Benguela, na costa oeste da África, aves não reprodutivas alimentam-se principalmente de peixes capturados pelas aves (50% da massa consumida), crustáceos (13%) e lulas (11%), além de outros itens constituídos por peixes descartadas por arrasteiros.

STATUS

O comitê científico da CCAMLR - Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos estima que apenas na região ao sul da Convergência Antártica até 138.000 pardelas-pretas foram mortas por barcos espinheleiros ilegais nos últimos três anos. É a ave mais capturada pelos espinheleiros pelágicos brasileiros. Nas Ilhas Geórgia do Sul, onde a população era estimada em 2 milhões de casais na década de 1980, houve um declínio de 28% nos ninhos ocupados entre 1981 e 1998. A população das Ilhas Malvinas/Falklands é estimada em 1.000-5.000 casais.

A espécie é considerada globalmente Vulnerável (VU, critérios A1b,c,d,e; A2b,c,d,e) e listada no Apêndice II da Convenção de Espécies Migratórias (CMS).
Petrel -gigante-do-sul - Macronectes giganteus Topo
CARACTERÍSTICAS GERAIS

Esta espécie apresenta notável polimorfismo (diferentes formas) na coloração da plumagem, passando por complexas mudanças conforme envelhece. A maior parte dos indivíduos observados no Brasil é de jovens com colaração marrom ou fuligem, daí o nome dado pelos pescadores ("urubu"), mas também há registros de exemplares brancos. Os machos são significantemente maiores que as fêmeas, com envergaduras entre 2,1 a 2,4 m (fêmeas entre 1,80 a 1,83 m) e pesando uma média de 5 kg machos, contra 3,8 kg para as fêmeas.

Distingue-se do Petrel-gigante-do-norte Macronectes halli (que também ocorre no Brasil) pela ponta do bico esverdeada (avermelhada no Petrel-gigante-do-norte). Há considerável variação em medidas e coloração entre aves de diferentes localidades e as populações da Ilha Gough (ao sul do Arquipélago de Tristão da Cunha) e das Ilhas Malvinas/Falklands apresentam características próprias e tem sido consideradas uma forma distinta (Macronectes giganteus solanderi).

Nas Ilhas Geórgia do Sul a nidificação começa em outubro. Forma colônias dispersas de até trezentos casais. A incubação dura de 55 a 66 dias e os filhotes deixam o ninho com 104 a 132 dias, quando pesam 1,3 vezes mais que um adulto. A maturidade sexual é atingida aos 6 ou 7 anos de idade e a expectativa de vida é de mais 9,5 anos.

Estes petréis são predadores de outros vertebrados e carcaças de aves e mamíferos marinhos são avidamente consumidas. É o única espécie da Ordem dos Procellariiformes a ocupar preferencialmente o nicho de predador e necrófago de mamíferos e aves, e um dos poucos a mostrar agilidade em terra. Nas Ilhas Geórgia do Sul pingüins são um item importante da dieta durante a reprodução (62 a 89% da massa consumida), assim como outros alimentos (especialmente petréis menores, krill, lobos marinhos, lulas e peixes).

STATUS

A população global é estimada em 31 mil pares no início da década de 1990, correspondendo a um declínio de 18% em uma década. A espécie é considerada globalmente Vulnerável (VU, critérios A1a,b,d,e; A2b,d,e) e listada no Apêndice II da Convenção de Espécies Migratórias (CMS).
Bobo-grande-de-sobre-branco - Puffinus gravis Topo

CARACTERÍSTICAS GERAIS


Tem envergadura de 1,0 a 1,2 m, e pesa 7,2 a 9,5g. Nidifica em buracos escavados no solo sob moitas de gramíneas e ciperáceas. Embora essas aves realizem deslocamentos em grande número durante a noite, são encontradas se exibindo e cavando ninhos durante o dia. As aves começam a chegar às colônias em agosto, e em setembro há grande número de aves ocupando as tocas. Novembro parece ser o mês quando a maioria das posturas é feita, mas há registros de ovos depositados em qualquer mês do verão austral. A incubação dura entre 53 e 57 dias e os filhotes deixam os ninhos com aproximadamente 100 dias de idade. Os juvenis começam a voar em maio, deixando as colônias nesse período.

Freqüentemente se associa a golfinhos e baleias para se alimentar, apresentando grande capacidade de mergulho (superior a 10 m), podendo permanecer submerso por 12 s.

STATUS

A população da Ilha de Nightingale e Ilha Inacessível era estimada em 5 milhões de pares, e a da Ilha Gough entre 600 mil e 3 milhões de pares na década de 1970. Apenas 50-100 casais nidificam nas Ilhas Malvinas/Falklands. Atualmente considerada fora de perigo mas o fato de se reproduzir em apenas 5 localidades seria suficiente para considerá-la Vulnerável (VU, critério D2).
Pardelão-prateado - Fulmarus glacialoides Topo
CARACTERÍSTICAS GERAIS

Envergadura 1,14-1,2 m. Pesa cerca de 800g. A nidificação começa em outubro, sendo altamente colonial. Os ninhos são construídos em fendas nas rochas. A postura ocorre em novembro e dezembro. A incubação dura cerca de 50 dias. Os juvenis deixam o ninho com idades de 48 a 56 dias o que ocorre março e abril. A expectativa de vida de uma após atingir a maturidade é de 12,8 anos e a probabilidade de sobrevivência anual é 90 a 95%.

Alimenta-se principalmente de crustáceos (krill), peixes e lulas, as proporções variando localmente. O peixe Pleurogramma antarcticum, que vive na superfície, é uma presa-chave. Também procura carniça e descartes.

STATUS

A espécie é considerada não ameaçada. A única população monitorada mostra alta variação inter-anual com tendência de crescimento.
 
 
 
 
Av. dos Bancários, 76/22
Ponta da Praia
Cep: 11.030-300
Santos - SP
Tel: (13) 3324-6008
Fax: (13) 3324-6005
albatroz@projetoalbatroz.org.br
(Terminal Pesqueiro Público de Santos)
Av. Rei Alberto I, 450/05 Ponta da Praia
Cep: 11.030-380
Santos - SP
Tel: (13) 3261-4039
Av. Ministro Victor Konder, 384 CEPSUL / Ibama
CEP: 88.301-700
Tel: (47) 3348-6058 R: 231
R. Nelcy Rocha Raposo, 365 - Itaipava, Itapemirim, ES
CEP: 29.338-000
Tel:(28)3529-1706