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Principais Espécies |
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Principais Espécies |
Pelo menos 20 espécies de aves
marinhas interagem com a pesca de espinhel em águas brasileiras
seguindo embarcações e alimentando-se de descartes. No entanto,
várias dessas espécies alimentam-se apenas na superfície,
acompanham embarcações apenas brevemente ou são de porte pequeno
demais para engolir anzóis iscados e assim serem capturadas.
Entre estas podemos listar as Grazinas Pterodroma
incerta, P. mollis, os petréis Calonectris diomedea
borealis, Calonectris edwardsii, Puffinus puffinus, Puffinus
griseus, o alma-de mestre Oceanites oceanicus, a
fragata Fregata magnificens, o atobá Morus capensis
e diversas espécies de mandrião Stercorarius spp.
É interessante notar que Petrel-do-bico-amarelo Calonectris
diomedea é vítima de espinhéis no Hemisfério Norte, mas isso
ainda não foi constatado no Atlântico Sul-Ocidental, onde em
geral parecem ignorar as embarcações e estarem mais associados a
cardumes de bonito e outros tunídeos.
A seguir é apresentado um sumário sobre as principais espécies
de albatrozes e petréis que interagem com a pesca no Brasil. O
status das espécies segue a classificação e os critérios da
União Internacional para Conservação da Natureza www.redlist.org. |
Albatroz-errante -
Diomedea
exulans
Albatroz-real-meridional -
Diomedea epomophora
Albatroz-de-Tristão ou Albatroz-de-Gough -
Diomedea dabbenena
Albatroz-real-setentrional -
Diomedea sanfordi
Albatroz-negro -
Phoebetria fusca
Albatroz-de-bico-amarelo-do-Atlântico -
Thalassarche
chlororhynchos
Albatroz-de-cabeça-cinza -
Thalassarche chrysostoma
Albatroz-de-sobrancelha-negra -
Thalassarche melanophris
Pardela-de-óculos -
Procellaria conspicillata
Pardela-preta -
Procellaria aequinoctialis
Petrel -gigante-do-sul -
Macronectes giganteus
Bobo-grande-de-sobre-branco -
Puffinus gravis
Pardelão-prateado -
Fulmarus glacialoides |
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Albatroz-errante -
Diomedea exulans |
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 CARACTERÍSTICAS GERAIS
Os juvenis deixam o ninho com plumagem quase totalmente marrom,
que vai clareando com a idade. Os machos tendem a tornar-se mais
brancos que as fêmeas. Machos das Ilhas Geórgia do Sul pesam
entre 8,19 e 11,9 kg e fêmeas entre 6,35 e 8,71 kg, com
envergadura variando de 2,72 até incríveis 3,45 m, sendo os
machos maiores que as fêmeas. Nidificam em colônias dispersas
com posturas realizadas entre dezembro e fevereiro. A incubação
dura 11 semanas, sendo dividida entre os pais. O único filhote
leva 40 semanas para deixar o ninho, o que ocorre entre novembro
e fevereiro. O longo período reprodutivo (55 semanas) faz com
que essa espécie se reproduza apenas bi-anualmente. Casais bem
sucedidos podem retornar à colônia apenas após 3 ou 4 anos. Em
1997 havia 19 aves com 39 anos de idade nidificando em Bird
Island (Ilhas Geórgia do Sul), e é provável que alguns
indivíduos ultrapassem os 50 anos de idade.
O Albatroz-errante e os outros grandes albatrozes capturam
presas principalmente na superfície, tendo limitada capacidade
de submergir. Aves das Ilhas Geórgia do Sul alimentam-se
principalmente de lulas (35% da massa consumida pelos filhotes:
Kondakovia longimana, Histiotheutis
eltaninae, Illex sp.,
Galitheutis glacialis) e peixes (45% da massa consumida pelos
filhotes, as espécies mais importantes sendo Pseudochaenichys
georgicus, Chaenocephalus aceratus e
Muraenolepis microps). As
duas últimas espécies são demersais (vivem na profundidade dos
oceanos), devendo ter sido obtidas como descartes ou corpos
flutuantes após a desova. Os albatrozes também consomem carniça
(como mamíferos marinhos mortos), tunicados, águas-vivas e
crustáceos (como "krill lagosta" Munida gregaria). A maior parte
do alimento é obtida durante o dia, embora haja algum
comportamento de alimentar-se a noite.
Muitas das lulas consumidas são espécies de grande porte (Kondakovia
longimana pesa em média 3 kg) e devem ser consumidas como
carniça, mas os albatrozes podem capturar lulas grandes na
superfície durante a noite, quando estas realizam migrações
verticais, do fundo ara a superfícies do mar. A predisposição da
espécie em consumir presas mortas faz com que se associe a
barcos pesqueiros para aproveitar descartes, sendo bastante
agressiva ao disputar restos com outras aves.
STATUS
A população mundial é estimada em c. 8.500 pares reprodutivos
anuais, o que corresponde a um total de c. 28.000 indivíduos
maduros. A população das Ilhas da Geórgia do Sul caiu 28% entre
1960 e 1996 (0,8% ao ano), o que coincidiu com a diminuição na
expectativa de sobrevivência dos adultos e dos jovens.
A espécie é considerada globalmente Vulnerável (VU, critérios
A1b,d; A2b,d) pela IUCN e listada no Apêndice II da Convenção de
Espécies Migratórias (CMS). |
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Albatroz-real-meridional - Diomedea epomophora |
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CARACTERÍSTICAS GERAIS
Comparado ao Albatroz-errante e Albatroz-de-Tristão Diomedea
exulans e D. dabbenena, apresenta as narinas bulbosas, bico mais
largo e robusto e a borda da maxila negra. Os juvenis deixam o
ninho com plumagem similar à dos adultos, com a diferença sendo
a face superior das asas negras e um número variável de penas
escuras no dorso produzindo um efeito de finas manchas. Com o
tempo a face superior das asas começa a adquirir branco a partir
de sua borda anterior, até tornar-se quase totalmente branca em
exemplares muito velhos. A cauda também torna-se branca
(Albatroz-errante mantém a maioria das retrizes com pontas
negras). A envergadura máxima é de 3 m. Os machos são maiores,
pesando entre 8,1 e 9,4 kg, enquanto as fêmeas oscilam entre 6,5
e 9,0 kg.
As primeiras posturas são feitas em novembro ou dezembro, com os
ovos eclodindo em fevereiro ou março. Os juvenis deixam os
ninhos após oito meses, de outubro a novembro. Os casais
nidificam minimamente a cada dois anos quando bem sucedidos. O
sucesso reprodutivo na Ilha Campbell (Nova Zelândia) teve uma
média de 58% ao longo de três anos.
Enquanto o Albatroz-errante se alimenta sobre o talude
continental, fora da plataforma continental, o Albatroz-real é
encontrado nas águas mais costeiras, sobre a plataforma. Nas
Ilhas Campbell a dieta consiste de 75% de cefalópodos (Morotheutis
inges, Kondakovia longimana, Taonius
pavo) 21% de peixes, 3% de
crustáceos e 1% de salpas. Dois indivíduos encontrados no Rio
Grande do Sul haviam se alimentado do peixe Ctenosciaena
gracilicirrhus e das lulas Ommastrephes bartrami,
Lycoteuthis
diadema, Cyclotheuthis sp . e Grimalditheuthis
sp .
STATUS
A população da Ilha Campbell (99% da população mundial) é
estimada em 8.200-8.600 de casais tendo se estabilizado após um
crescimento aparente na década de 1980. A espécie é considerada
globalmente Vulnerável (VU, critério D2) pela IUCN, e listada no
Apêndice II da Convenção de Espécies Migratórias (CMS). |
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Albatroz-de-Tristão ou Albatroz-de-Gough - Diomedea
dabbenena |
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 CARACTERÍSTICAS GERAIS
A população do Albatroz-de-Tristão ganhou status específico
pleno (antes era considerada apenas uma sub-espécie de Diomedea
exulans, espécie que também englobava o Albatroz-errante da
Geórgia do Sul entre outras) apenas recentemente com base em
estudos moleculares. Estas aves diferenciam-se de
Albatroz-errante pelas menores medidas das asas, dos tarsos e,
notavelmente, do bico. O bico varia de 14,4 a 15,8 cm nos machos
e de 13,8 a 15,0 cm nas fêmeas, enquanto que o Albatroz-errante
tem bicos de 16,2 a 18,0 cm para os machos e de 15,2 a 17,2 cm
para as fêmeas. A altura do bico é similar à de
Albatroz-errante, dando um perfil comparativamente robusto às
aves. Os machos tem bicos mais altos na base e robustos que as
fêmeas. Um macho tinha 2,83 m de envergadura.
Uma característica importante é que o Albatroz-de-Tristão não
apresenta estágios de plumagem tão claros como os apresentados
pelo Albatroz-errante. Especialmente as fêmeas mantém por toda a
vida uma plumagem mais escura, especialmente na cabeça, pescoço
e peito. Uma característica importante é a manutenção de uma
faixa peitoral escura mesmo quando as costas da ave já
adquiriram cor branca. Juvenis dessa espécie deixam o ninho com
uma plumagem mais pálida e acinzentada que filhotes do
Albatros-errante.
Adultos em incubação são observados na Ilha Gough em janeiro e
fevereiro, enquanto filhotes já com o tamanho dos pais, mas
cobertos de penugem, estão presentes em setembro, deixando os
ninhos em novembro ou dezembro. A espécie nidifica
bi-anualmente. O sucesso reprodutivo (número de jovens que voam
do ninho / número de ovos postos) é de 46 a 69%. Os jovens
começam a retornar às colônias com 4 ou 5 anos de idade. A
filopatria (fidelidade ao local do nascimento) é bastante
elevada (80% das aves volta à sua colônia natal). Os albatrozes
da Ilha Gough em geral começam a se reproduzir entre 8 e 9 anos
de idade mas alguns chegando a nidificar com 6 anos, enquanto
que os Albatrozes-errantes começam com 10 a 12. A maior
longevidade registrada para uma ave anilhada foi de 22 anos.
O principal item da dieta das aves em Gough durante o período
reprodutivo são lulas Histiotheutidae (6 espécies diferentes),
mas pelo menos outras 18 espécies de cefalópodes também são
consumidos. Exemplares acompanhando espinheleiros fora da costa
do Brasil alimentam-se tanto de iscas descartadas (lulas Illex
argentinus) como de vísceras de peixes, notadamente o fígado de
tubarões.
STATUS
Um censo feito em Gough em 1999-2000 encontrou 1.129 filhotes,
equivalentes a 1.500 pares reprodutivos, sugerindo uma população
global de 9 mil indivíduos. Esta é considerada estável. Apenas
um filhote foi encontrado na ilha Inacessível no Arquipélago de
Tristão da Cunha. A espécie é classificada como globalmente Em
Perigo (EN, critérios B1+2e) pela IUCN e listada no Apêndice II
da Convenção de Espécies Migratórias (CMS). |
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Albatroz-real-setentrional - Diomedea sanfordi |
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CARACTERÍSTICAS GERAIS
Os adultos distinguem-se do Albatroz-real-austral e do
Albatroz-errante pela combinação única de dorso branco com a
face superior das asas totalmente negras. Os juvenis deixam o
ninho com plumagem similar à dos adultos, a diferença sendo um
número variável de penas escuras no dorso produzindo um efeito
manchado, e algumas penas escuras no alto da cabeça. Apresenta
as narinas bulbosas e a borda da maxila negra como
Albatroz-real-austral, sendo significativamente menor (p. ex.
machos tem bicos de 16,5 a 17,2 cm, comparados a 17,9 a 18,8 cm
no Albatroz-real-austral). Adultos das Ilhas Chatham - Nova
Zelândia pesam de 6,35 a 6,6 kg.
As aves começam a retornar às colônias de reprodução em setembro
e as posturas ocorrem no final de outubro (Taiaroa Head - Nova
Zelândia) e meados de novembro (Ilhas Chatham). A incubação dura
em média 79 dias e o jovem deixa o ninho após 32 a 38 semanas. A
nidificação leva, assim, uma média de 46 semanas, de forma que a
reprodução é bi-anual. Os jovens ficam no mar de 4 a 8 anos
antes de retornar à colônia natal. As aves começam a se
reproduzir entre 6 a 11 anos. A maior longevidade para uma ave
anilhada é de 61 anos. Este exemplar estava se nidificando e
produziu um filhote antes de desaparecer.
O sucesso reprodutivo em Taiaroa Head ao longo de 17 anos foi,
em média, de 31%. Estima-se que 57% dos jovens sobrevivam até
terem idade para reproduzir e a porcentagem de sobrevivência dos
adultos na década de 1990 era de 94,6 a 95,3%, menor que os
98,9% estimados na década de 1940-50. Nas Ilhas Chatham a
produtividade anual entre 1990-1996 foi de apenas 18% devido à
degradação da cobertura vegetal, o que causa a quebra de ovos e
a inundação de ninhos.
A dieta nas Ilhas Chatham é constituída em massa de 85% de
cefalópodos (incluindo Morotheutis ingens, Architeuthis
sp. e Histiotheuthis atlantica), 14% de peixes e 1% de salpas. Em
Taiaroa Head as aves consomem 80% de cefalópodes (incluindo
polvos aparentemente obtidos de descartes), 15% de peixes, 3% de
crustáceos e 2% de salpas.
STATUS
A população das ilhas Chatham (99% da população global) é
estimada em 6.500-7.000 pares, e 27 casais estavam presentes em
Taiaroa Head em 1995, incluindo cinco híbridos. A espécie é
considerada globalmente Em Perigo (EN, critérios A2c; B1+2c,e) e
listada no Apêndice II da Convenção de Espécies Migratórias
(CMS). |
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Albatroz-negro - Phoebetria fusca |
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CARACTERÍSTICAS GERAIS
Um dos albatrozes mais distintos com sua plumagem escura e cauda
longa. Similar ao Albatroz-do-manto-de-luz Phoebetria
palpebrata,
que também ocorre no Brasil, distingue-se pelo dorso marrom
apenas pouco mais claro que a cabeça e pescoço (o contraste é
muito maior no Albatroz-do-manto-de-luz, que tem o dorso
cinza-pálido) e pelo sulco mandibular amarelo (azul ou violeta
na outra espécie). Têm envergadura 2de dois metros e machos de
Tristão da Cunha pesam 2,5 a 3 kg enquanto que as fêmeas pesam
entre 1,8-2,5 kg.
Um ciclo reprodutivo leva sete meses, mas os casais nidificam
bi-anualmente. Os ninhos são construídos em terreno íngreme,
como falésias. Em Tristão da Cunha os adultos retornam do mar em
setembro e os primeiros ovos são postos de forma bastante
sincronizada na primeira semana de outubro. A incubação dura
cerca de 70 dias. O casal se reveza e cada turno de incubação
dura de 1 a 21 dias. Um dos pais sempre fica com o filhote
durante os primeiros 20 dias. Depois disso o filhote é deixado
sozinho, exceto quando alimentado. Os juvenis deixam o ninho
próximo aos 164 dias de vida. Os pais continuam a alimentar o
juvenil até este deixar o ninho, não havendo abandono como em
outros albatrozes e petréis. O sucesso reprodutivo varia muito
de ano para ano, com uma média de 43% nas Ilhas Crozet, no
Índico. A idade média de primeira reprodução é de 12 ou 13 anos
e a expectativa de vida é de mais 19,5 anos. A sobrevivência dos
adultos é de 90 a 97% e a dos juvenis é de 22%.
A dieta não tem sido estudada em detalhes no Atlântico, mas nas
Ilhas Crozet 70% em massa da dieta dos filhotes é peixe
(especialmente o Myctophidae electrona carlsbergi), 14% lulas
(principalmente Galitheuthis glacialis, Kondakovia
longimana,
Morotheuthis knipovitchi), 13% crustáceos (krill) e 3% carniça.
Nas Ilhas Prince Edward peixes corresponderam a 32%, lulas a
32%, crustáceos a 23% e carniça a 1%. As lulas predadas têm
entre 100 e 300 g, mas restos de indivíduos muito maiores (até 5
kg) ocorrem nas amostras. Esta é umas das espécie da Ordem dos
Procellariiformes com vôo mais ágil e é um dos albatrozes com
maior capacidade de mergulho, atingindo até 12 m.
STATUS
Há 5.000-10.000 pares na Ilha Gough e 4.125-5.250 em Tristão da
Cunha. A espécie é considerada globalmente Vulnerável (VU,
critério A1b) e consta do Apêndice II da Convenção de Espécies
Migratórias (CMS). |
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Albatroz-de-bico-amarelo-do-Atlântico - Thalassarche
chlororhynchos |
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 CARACTERÍSTICAS GERAIS
A característica principal da espécie é a faixa amarela ao longo
da face dorsal da maxila, terminando em um desenho arredondado.
Este é pontiagudo na espécie-irmã
Albatroz-de-bico-amarelo-do-Índico Thalassarche carteri. O
Albatroz-de-bico-amarelo-do-Atlântico apresenta a cabeça e
pescoço acinzentado, mais claro no vértice, enquanto que o
Albatroz-de-bico-amarelo-do-Índico tem a cabeça branca, exceto
por uma sombra de cinza na face. É um dos menores albatrozes; a
envergadura de quatro exemplares variou de 1,98 a 2,07 m. Os
machos parecem ser maiores, como em outros albatrozes.
Exemplares da Ilha Gough pesam entre 1,78 e 2,84 kg.
As primeiras aves chegam às áreas de nidificação em meados de
agosto. Na ilha de Nightingale (Arquipélago de Tristão da Cunha)
a maioria dos ovos é posta entre 10 e 20 de setembro, eclodindo
no início de dezembro, após aproximadamente 78 dias de
incubação. Na Ilha Gough as posturas são feitas em setembro e
outubro, os primeiros filhotes surgem no final de novembro e em
2 de dezembro 75% dos ovos haviam eclodido. No final de dezembro
a maioria dos filhotes estava grande o suficiente para ser
deixada sozinha. Em Tristão da Cunha e Gough os jovens deixam a
colônia no final de abril ou início de maio. A espécie nidifica
anualmente. A expectativa anual de sobrevivência de adultos nas
Ilhas Inacessível e Nightingale foi de 84%, enquanto que para os
juvenis da Ilha Inacessível foi de 82%.
A dieta e ecologia da espécie são mal conhecidas, mas
cefalópodos estavam presentes em todos os conteúdos estomacais
de exemplares coletados em Gough, enquanto peixes e anfípodos
ocorreram em algumas amostras
STATUS
Não há censos recentes disponíveis. Em 1972-73 estimava-se que a
população de Tristão da Cunha era de cerca de 20.000 pares, e a
de Gough 7.500. Há evidências de que a população da Ilhas
Inacessível (1.100 pares em 1982) e Gough diminuíram
sensivelmente desde a década de 1980. A espécie é considerada
Quase Ameaçada (NT/lr) pela IUCN mas o fato de nidificar em 5
localidades e haver evidências de declínio populacional é
suficiente para considerá-la Vulnerável (VU, critérios B1,B2e,D2). |
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Albatroz-de-cabeça-cinza - Thalassarche chrysostoma |
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CARACTERÍSTICAS GERAIS
Os adultos são bastante característicos devido à cabeça
cinza-ardósia e o bico com largas faixas amarelas. Os juvenis
têm a cabeça amarronzada e o bico negro. A envergadura é de
2,1-2,4 m. Machos das Ilhas Geórgia do Sul pesam entre 3,9 e 4,3
kg, e as fêmeas entre 3,5 e 4,2 kg.
As colônias mostram grande variação inter-anual na quantidade de
aves reproduzindo. As aves chegam às Ilhas Geórgia do Sul em
meados de setembro, as posturas dos ovos são realizadas em
outubro, eclodindo em dezembro ou janeiro. Cerca de 60% dos ovos
eclodem e 65% dos filhotes produzidos sobrevivem para deixar os
ninhos em meados de maio-junho. A filopatria (fidelidade ao
local do nascimento) é elevada e 85% das aves nidifica na
colônia em que nasceu. O sucesso reprodutivo nas Ilhas Geórgia
do Sul é, em média, de 39%, com variações anuais significativas
em todos os parâmetros reprodutivos. Os filhotes crescem mais
lentamente que os de Albatroz-de-sobrancelha-negra
(aparentemente devido ao krill consumido em grande quantidade
pela última ter mais cálcio e energia) e os casais em geral
nidificam bi-anualmente quando bem sucedidos, mas intervalos
maiores que dois anos são comuns. A probabilidade de
sobrevivência anual dos adultos das Ilhas Geórgia do Sul caiu de
95 para 93% na década passada, coincidindo com uma redução de
recrutamento de 35% para 5%. A idade média de primeira
reprodução é de doze anos.
Aves das Ilhas Geórgia do Sul alimentam-se principalmente de
cefalópodos (49% da massa consumida, 91% correspondendo à lula
Martialia hyadesi), peixes (35%, 1/3 sendo de lampreias
Geotria
australis) e krill (17%). Há variações anuais (especialmente
quanto ao uso de krill) mas lulas e peixes são presas
dominantes. As aves realizam mergulhos quando voando ou da
superfície, atingindo pelo menos 5 m de profundidade e há
sugestões de que se alimentem também à noite. No Brasil não
parece seguir embarcações de forma consistente mas mais ao sul
(Ilhas Malvinas/Falklands) é um membro ativo dos grupos de aves
que procuram descartes de pesqueiros.
STATUS
A população em Bird Island (6.857 pares em 1991), Ilhas Geórgia
do Sul, declinou cerca de 30% desde 1975, e a taxa de
recrutamento caiu de 35 para 5%. As aves jovens são mais
vulneráveis à captura por espinheleiros pelágicos. A espécie é
listada como globalmente Vulnerável (VU, critérios A1b,d; A2b,d)
e consta do Apêndice II da Convenção de Espécies Migratórias
(CMS). |
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Albatroz-de-sobrancelha-negra - Thalassarche melanophris |
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 CARACTERÍSTICAS GERAIS
Os adultos são brancos com asas negras e o característico bico
alaranjado com a ponta avermelhada. Há uma evidente faixa ocular
escura (compartilhada com outras aves do gênero Thalassarche).
Os juvenis deixam o ninho com uma faixa peitoral amarronzada e o
bico negro, que depois torna-se amarronzado com a ponta
enegrecida. A envergadura máxima é de c. 2,5 m. Nas Ilhas
Géorgia do Sul os machos pesam entre 3,4 e 4,7 kg e as fêmeas
entre 2,9 e 3,8 kg.
Pesquisadores britânicos encontraram diferenças genéticas entre
aves das Ilhas Malvinas/Falklands e das Ilhas Geórgia do Sul tão
grandes quanto entre estas e Thalassarche impavida, a
espécie-irmã endêmica da Ilha Campbell (Nova Zelândia).
Nas Ilhas Malvinas/Falklands as aves chegam às colônias no final
de agosto ou início de setembro, realizando as posturas em
outubro. Nas Ilhas Geórgia do Sul isso ocorre três semanas
depois. A incubação leva aproximadamente 70 dias e os juvenis
deixam o ninho após 120 dias o que acontece em meados de março
ou abril para as aves das Ilhas Malvinas/Falklands. O ciclo
reprodutivo relativamente curto permite que a espécie reproduza
anualmente. Os jovens retornam às colônias quando têm entre 3 a
8 anos de idade e começam a se reproduzir quando tem 6 a 13
anos. A filopatria (fiselidade ao local onde nasceu) é elevada
(58% dos juvenis voltam à colônia natal nas Ilhas Geórgia do
Sul) e aves adultas não mudam de colônia. A sobrevivência anual
dos adultos nessas ilhas é de 94% para machos e a 96% para
fêmeas.
Nas Ilhas Geórgia do Sul a dieta é constituída por krill (40% da
massa consumida), peixes (como Myctophidae e Channichtyidae),
lampreias Geotria australis (39,5%) e cefalópodes (21%,
especialmente a lula do gênero Todarodes). Nas Ilhas
Malvinas/Falklands as presas principais são lulas (notadamente
Loligo gahi) e peixes (como Micromesistius
australis), que
juntos constituem 90% da dieta. Medusas e crustáceos (krill-lagosta
Munida gregaria) constituem o restante. Dessa forma, há
importantes diferenças ecológicas entre as duas populações.
Thalassarche melanophris tem razoável capacidade de mergulho e
pode capturar presas a 5 m de profundidade.
O Albatroz-de-sobrancelha-negra é notável pelo entusiasmo e
agressividade com que acompanha embarcações pesqueiras. Nessa
ocasiões de alimenta de descartes e iscas, agrupando-se em
grande número ao redor de espinheleiros em operação.
STATUS
Algumas populações nas Ilhas Geórgia do Sul tiveram uma redução
de 45 a 64% entre 1976 e 1996. Em 1995 apenas 9.500 pares
estavam presentes em Bird Island. No total, todas as populações
ali monitoradas decresceram 31% naquele período. O sucesso
reprodutivo e a expectativa anual de sobrevivência dos adultos
também diminuiu. Nas Ilhas Malvinas/Falklands, que abrigam 80%
da população mundial do Albatroz-de-sobrancelha-negra, com um
total de 458.000 pares em 1995. No entanto, censos feitos em
2000 apontam uma rápida redução de pelo menos 86.500 pares na
população das ilhas, estimada hoje em 382.000 pares. A colônia
da Ilha de Steeple Jason, a maior do mundo, perdeu 41.200 pares,
tendo hoje 150.000 casais reprodutivos.
A espécie é atualmente considerada Quase Ameaçada (LR/NT) pela
IUCN mas o recente declínio nas Malvinas/Falklands e os
observados em outras populações justificam a mudança de seu
status para Vulnerável (critérios A2b). |
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Pardela-de-óculos - Procellaria conspicillata |
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 CARACTERÍSTICAS GERAIS
Semelhante a Pardela-preta Procellaria aequinoctialis
distingue-se pela máscara facial ("óculos") branca, de forma e
extensão variável e já visível nos ninhegos (filhotes ainda
restritos ao ninho). Também tem medidas menores. O peso varia de
1 a 1,3 kg (média de 1,2 kg), significativamente menos que as
Pardelas-pretas das Ilhas Geórgia do Sul.
Como a Pardela-preta, essa espécie cava túneis onde constrói o
ninho. Esses túneis são freqüentemente construídos em solo
encharcado ao longo de drenagens e riachos, e tem uma poça ou
"fosso" na entrada. As posturas são feitas no início de outubro
e a maioria eclode após meados de dezembro. Os juvenis deixam a
colônia em março ou abril.
Alimenta-se de cefalópodos, crustáceos decápodos e peixes.
Possui boa capacidade de mergulho (aves foram observadas
atingindo pelo menos 6 m para obter descartes de espinheleiros).
Parece ser muito mais diurna que a Pardela-preta.
STATUS
A população estimada em 1999 era de 3.800-4.600 pares
reprodutivos. A espécie é classificada como Criticamente em
Perigo (CR, critérios B1+2e) pela IUCN e listada no Apêndice II
da Convenção de Espécies Migratórias (CMS). |
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Pardela-preta - Procellaria aequinoctialis |
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CARACTERÍSTICAS GERAIS
Caracterizadas pela plumagem marrom-escura uniforme, bico claro
e uma mancha branca abaixo do bico ("queixo") de extensão
variável e às vezes ausente. A envergadura é de 1,3 a 1,4 m e os
machos pesam até 1,4 kg, enquanto as fêmeas, um pouco menores,
chegam a 1,3 kg.
Nas colônias reprodutivas apresentam comportamento noturno e
nidificam em longos buracos escavados sob moitas de gramíneas e
ciperáceas. As aves vocalizam para atrair seus parceiros. As
aves chegam nas Ilhas Geórgia do Sul em setembro, e os primeiros
ovos são encontrados após meados de novembro. A incubação dura
cerca de 60 dias. Os ovos eclodem em janeiro e os filhotes
atingem seu maior peso aos 82 dias, quando pesam mais que os
adultos. Os jovens são então abandonados e deixam os ninhos com
cerca de 100 dias de idade. O sucesso reprodutivo varia de 12 a
54%.
Indivíduos podem mergulhar a profundidades de 13 m, permanecendo
submersos por 45 s. Nas Ilhas Geórgia do Sul, durante o período
reprodutivo, a espécie se alimenta principalmente de krill,
peixes-lanterna Myctophidae e lulas oceânicas (principalmente
Martialia hyadesi), indicando hábito de alimentação noturna.
Isto também foi observado por observadores abordo de embarcações
espinheleiras. Na região da Corrente de Benguela, na costa oeste
da África, aves não reprodutivas alimentam-se principalmente de
peixes capturados pelas aves (50% da massa consumida),
crustáceos (13%) e lulas (11%), além de outros itens
constituídos por peixes descartadas por arrasteiros.
STATUS
O comitê científico da CCAMLR - Comissão para a Conservação dos
Recursos Vivos Marinhos Antárticos estima que apenas na região
ao sul da Convergência Antártica até 138.000 pardelas-pretas
foram mortas por barcos espinheleiros ilegais nos últimos três
anos. É a ave mais capturada pelos espinheleiros pelágicos
brasileiros. Nas Ilhas Geórgia do Sul, onde a população era
estimada em 2 milhões de casais na década de 1980, houve um
declínio de 28% nos ninhos ocupados entre 1981 e 1998. A
população das Ilhas Malvinas/Falklands é estimada em 1.000-5.000
casais.
A espécie é considerada globalmente Vulnerável (VU, critérios
A1b,c,d,e; A2b,c,d,e) e listada no Apêndice II da Convenção de
Espécies Migratórias (CMS). |
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Petrel -gigante-do-sul - Macronectes giganteus |
Topo |
CARACTERÍSTICAS GERAIS
Esta espécie apresenta notável polimorfismo (diferentes formas)
na coloração da plumagem, passando por complexas mudanças
conforme envelhece. A maior parte dos indivíduos observados no
Brasil é de jovens com colaração marrom ou fuligem, daí o nome
dado pelos pescadores ("urubu"), mas também há registros de
exemplares brancos. Os machos são significantemente maiores que
as fêmeas, com envergaduras entre 2,1 a 2,4 m (fêmeas entre 1,80
a 1,83 m) e pesando uma média de 5 kg machos, contra 3,8 kg para
as fêmeas.
Distingue-se do Petrel-gigante-do-norte Macronectes halli (que
também ocorre no Brasil) pela ponta do bico esverdeada
(avermelhada no Petrel-gigante-do-norte). Há considerável
variação em medidas e coloração entre aves de diferentes
localidades e as populações da Ilha Gough (ao sul do Arquipélago
de Tristão da Cunha) e das Ilhas Malvinas/Falklands apresentam
características próprias e tem sido consideradas uma forma
distinta (Macronectes giganteus solanderi).
Nas Ilhas Geórgia do Sul a nidificação começa em outubro. Forma
colônias dispersas de até trezentos casais. A incubação dura de
55 a 66 dias e os filhotes deixam o ninho com 104 a 132 dias,
quando pesam 1,3 vezes mais que um adulto. A maturidade sexual é
atingida aos 6 ou 7 anos de idade e a expectativa de vida é de
mais 9,5 anos.
Estes petréis são predadores de outros vertebrados e carcaças de
aves e mamíferos marinhos são avidamente consumidas. É o única
espécie da Ordem dos Procellariiformes a ocupar
preferencialmente o nicho de predador e necrófago de mamíferos e
aves, e um dos poucos a mostrar agilidade em terra. Nas Ilhas
Geórgia do Sul pingüins são um item importante da dieta durante
a reprodução (62 a 89% da massa consumida), assim como outros
alimentos (especialmente petréis menores, krill, lobos marinhos,
lulas e peixes).
STATUS
A população global é estimada em 31 mil pares no início da
década de 1990, correspondendo a um declínio de 18% em uma
década. A espécie é considerada globalmente Vulnerável (VU,
critérios A1a,b,d,e; A2b,d,e) e listada no Apêndice II da
Convenção de Espécies Migratórias (CMS). |
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Bobo-grande-de-sobre-branco - Puffinus
gravis |
Topo |
 CARACTERÍSTICAS GERAIS
Tem envergadura de 1,0 a 1,2 m, e pesa 7,2 a 9,5g. Nidifica em
buracos escavados no solo sob moitas de gramíneas e ciperáceas.
Embora essas aves realizem deslocamentos em grande número
durante a noite, são encontradas se exibindo e cavando ninhos
durante o dia. As aves começam a chegar às colônias em agosto, e
em setembro há grande número de aves ocupando as tocas. Novembro
parece ser o mês quando a maioria das posturas é feita, mas há
registros de ovos depositados em qualquer mês do verão austral.
A incubação dura entre 53 e 57 dias e os filhotes deixam os
ninhos com aproximadamente 100 dias de idade. Os juvenis começam
a voar em maio, deixando as colônias nesse período.
Freqüentemente se associa a golfinhos e baleias para se
alimentar, apresentando grande capacidade de mergulho (superior
a 10 m), podendo permanecer submerso por 12 s.
STATUS
A população da Ilha de Nightingale e Ilha Inacessível era
estimada em 5 milhões de pares, e a da Ilha Gough entre 600 mil
e 3 milhões de pares na década de 1970. Apenas 50-100 casais
nidificam nas Ilhas Malvinas/Falklands. Atualmente considerada
fora de perigo mas o fato de se reproduzir em apenas 5
localidades seria suficiente para considerá-la Vulnerável (VU,
critério D2). |
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Pardelão-prateado - Fulmarus glacialoides |
Topo |
CARACTERÍSTICAS GERAIS
Envergadura 1,14-1,2 m. Pesa cerca de 800g. A nidificação começa
em outubro, sendo altamente colonial. Os ninhos são construídos
em fendas nas rochas. A postura ocorre em novembro e dezembro. A
incubação dura cerca de 50 dias. Os juvenis deixam o ninho com
idades de 48 a 56 dias o que ocorre março e abril. A expectativa
de vida de uma após atingir a maturidade é de 12,8 anos e a
probabilidade de sobrevivência anual é 90 a 95%.
Alimenta-se principalmente de crustáceos (krill), peixes e
lulas, as proporções variando localmente. O peixe Pleurogramma
antarcticum, que vive na superfície, é uma presa-chave. Também
procura carniça e descartes.
STATUS
A espécie é considerada não ameaçada. A única população
monitorada mostra alta variação inter-anual com tendência de
crescimento. |
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